Monaco Journal - Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, apesar de investigado no escândalo do Banco Master

Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, apesar de investigado no escândalo do Banco Master
Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, apesar de investigado no escândalo do Banco Master / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP

Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, apesar de investigado no escândalo do Banco Master

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avança com o vento a favor em meio à tempestade: apesar do megaescândalo financeiro que o atinge, sua candidatura cresce nas pesquisas a duas semanas das eleições presidenciais.

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O candidato da direita, de 45 anos, reduziu a vantagem de seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao encostar nas intenções de voto no primeiro turno, em meio a notícias de que é investigado por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

A investigação gira em torno do financiamento do filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), por Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master e preso por fraude.

Mas o mesmo caso também pôs sob pressão o ministro Alexandre de Mores, do Supremo Tribunal Federal, considerado inimigo pelo bolsonarismo, e isso beneficiou o candidato do PL.

Estes são os pontos-chave sobre o avanço de Flávio Bolsonaro.

- Foco em Moraes -

A origem do escândalo é Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, preso em 2025.

Depois de alguns vazamentos sobre o caso, Flávio Bolsonaro admitiu que o banqueiro pagou milhões de dólares para financiar "Dark Horse", um filme biográfico sobre seu pai, preso por tentativa de golpe de Estado.

Embora negue irregularidades, este mês veio à tona que o candidato do PL é investigado sobre esse financiamento por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

Mas o escândalo também teve outro foco quando um relatório policial expôs conversas de Vorcaro com um número de telefone atribuído a Moraes, nas quais pede ajuda para frear a investigação por uma fraude milionária contra clientes do Banco Master.

O ministro é rejeitado pela direita devido ao seu papel crucial no julgamento de Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, esse grupo o associa a Lula, de quem recebeu elogios públicos.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), chefe de campanha de Flávio Bolsonaro, tachou Alexandre de Moraes de "um pop star da esquerda".

"Alexandre de Moraes e Lula são duas faces da mesma moeda, e essa é uma percepção da população brasileira", disse Marinho a um grupo de jornalistas.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) realizou uma audiência inédita para decidir pela abertura de uma investigação sobre Moraes.

Um estudo da empresa de análises de dados Datrix mostrou que as menções nas redes sociais sobre Moraes e seus conflitos dentro do STF substituíram as que faziam alusão ao Banco Master e a Flávio Bolsonaro.

- Danos colaterais para Lula -

Apesar de defender o trabalho "extraordinário" de Moraes ao condenar Jair Bolsonaro, Lula tenta tomar distância, ao mesmo tempo em que a desaprovação ao seu governo se mantém alta.

As últimas pesquisas divulgadas após a audiência no STF, da empresa Quaest e do Datafolha, mostram que Flávio Bolsonaro subiu levemente nas intenções de voto no primeiro turno e está em empate técnico com Lula no segundo.

Marco Aurélio de Carvalho, um dos coordenadores de campanha de Lula, disse à AFP que o crescimento de Flávio "é natural pela polarização".

"A crise do STF não é uma crise nossa. Estão tentando colocar isso no nosso colo", acrescentou.

Mas o bolsonarismo consegue que "o eleitor um pouco indeciso acabe associando a imagem do Lula a Alexandre de Moraes", disse o analista político André Rosa. "Isso faz com que Flávio Bolsonaro tenha fôlego nesse momento", acrescentou.

Para Geraldo Monteiro, especialista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a campanha de Lula tem sido "meio fria".

Na semana passada, o presidente octogenário anunciou um aumento do Bolsa Família, uma medida tachada de eleitoreira pela direita.

- Argumentos do bolsonarismo -

Monteiro afirma que a crise no STF reforça a percepção de repúdio às instituições.

"A imagem geral que sai para a população é que a política é um antro de corrupção", disse.

Para Rosa, a crise revive velhos argumentos de Jair Bolsonaro, que quando era presidente acusava os ministros do STF de se excederem em suas funções.

Segundo ele, quem vota em seu filho também o faz porque começa a dar certa razão a esse discurso.

Para Laércio Barbosa, professor de química de 70 anos que vai votar em Lula, as pesquisas "preocupam".

A campanha "precisa se dar conta que o discurso antissistema hoje, infelizmente, está nas mãos da direita", disse à AFP durante um evento político.

S.Grasso--MJ