Monaco Journal - Avanços da extrema direita e da extrema esquerda em eleições regionais abalam governo Merz

Avanços da extrema direita e da extrema esquerda em eleições regionais abalam governo Merz
Avanços da extrema direita e da extrema esquerda em eleições regionais abalam governo Merz / foto: John MACDOUGALL - AFP

Avanços da extrema direita e da extrema esquerda em eleições regionais abalam governo Merz

O avanço do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e da legenda de extrema esquerda Die Linke nas eleições regionais deste domingo (20) em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim representa um novo golpe para o governo do chanceler Friedrich Merz.

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O chanceler está sob pressão desde que a AfD conquistou uma vitória inédita nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt há duas semanas, com o primeiro lugar e a poucas cadeiras no Parlamento de conseguir formar o governo regional.

Segundo as pesquisas de boca de urna das emissoras públicas ARD e ZDF, a AfD venceria a eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental com 38% dos votos, contra 36% dos social-democratas do SPD, que integram a coalizão do governo central de Merz.

Friedrich Merz, 70 anos, chamou o resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental de um "desastre" para seu partido, a legenda conservadora União Democrata Cristã (CDU), que obteve apenas 5% dos votos.

"Os tempos mudam na Alemanha", comemorou Jan-Phillip Tadsen, deputado da AfD em um bar em Schwerin, capital desta região, onde militantes e dirigentes do partido comemoraram os resultados com gritos e abraços.

Antes das eleições, o chanceler cancelou sua viagem a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU e convocou uma reunião de crise de seu partido para lidar com as potenciais repercussões das eleições.

Após a publicação dos resultados, Merz prometeu continuar com sua agenda de reformas, uma mensagem que já tinha transmitido após a vitória da AfD na Saxônia-Anhalt, e que parece descartar uma possível renúncia.

"Assumo esta responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar", disse Merz, muito impopular nas pesquisas e que enfrenta dificuldades para aprovar suas reformas econômicas e de bem-estar.

A rejeição das demais legendas à AfD, simpática aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, dificulta que o partido alcance os acordos necessários para formar o governo.

Em Berlim, pesquisas dão o primeiro lugar ao partido de extrema esquerda Die Linke (25%), O partido de Merz teria ficado em segundo lugar na capital, com 20% dos votos.

"Na nossa cidade, o amor e a justiça venceram o ódio", disse a dirigente do Die Linke, Elif Eralp, filha de imigrantes turcos, que comemorou a vitória de seu partido sobre a AfD.

A extrema direita obteria 15% dos votos em Berlim, uma cidade com reputação de tolerância e abertura, onde teve 9% dos votos em 2023.

Berlim é, ao mesmo tempo, cidade e uma região e por isso é o Parlamento que elege o prefeito. Para chegar ao cargo, não basta ficar em primeiro lugar nas eleições, mas é preciso também poder formar uma coalizão.

- Derrubar o "muro de fogo" contra a AfD -

A co-dirigente Alice Weidel comemorou os resultados e defendeu o "fim da bobagem do muro de fogo", ou seja, o consenso dentro da classe política de não se aliar à AfD.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (nordeste), que fez parte da extinta Alemanha Oriental comunista, o partido de Merz foi reduzido à mínima expressão, no limite mínimo para entrar no Parlamento regional.

Quando Merz chegou ao poder, em maio do ano passado, ele prometeu impulsionar uma economia enfraquecida, reconstruir as Forças Armadas como um fator de dissuasão diante da Rússia e reduzir a imigração irregular para aplacar o temor dos eleitores e evitar que optassem pela AfD.

Mas a AfD lidera atualmente as pesquisas nacionais e os índices de aprovação de Merz estão um pouco acima de 10%.

Em frente a uma seção eleitoral no sul de Berlim, Moritz Lembke-Oezer, de 43 anos, disse à AFP que esperava que a CDU fosse "punida" nas eleições "e que depois, eventualmente, Friedrich Merz não esteja mais" no cargo, embora tema que seu enfraquecimento "poderia beneficiar a AfD".

Ele apoia o Die Linke em protesto contra o aumento dos aluguéis em uma cidade onde o acesso à moradia se tornou um problema depois de ser muito acessível durante anos.

Para alguns analistas, muitos problemas de Merz começaram no exterior, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que provocaram aumentos nos preços dos combustíveis e afetaram a inflação.

E o boom econômico da China está transformando este tradicional mercado para as exportações alemãs em um duro concorrente industrial.

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P.Caruso--MJ