Monaco Journal - Meloni celebra recorde de permanência no poder e lança campanha para 2027

Meloni celebra recorde de permanência no poder e lança campanha para 2027
Meloni celebra recorde de permanência no poder e lança campanha para 2027 / foto: Andreas SOLARO - AFP/Arquivos

Meloni celebra recorde de permanência no poder e lança campanha para 2027

Com uma festa às margens do mar Adriático, Giorgia Meloni, primeira mulher a chefiar um governo italiano, celebra nesta sexta-feira (4) o recorde de permanência no cargo desde o fim da Segunda Guerra Mundial e defenderá sua "credibilidade" para lançar a campanha para as eleições legislativas de 2027.

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"É um marco que recebo com gratidão e um forte senso de responsabilidade", escreveu na rede social X a primeira-ministra, no cargo desde outubro de 2022 e presidente do partido de extrema direita Irmãos da Itália.

"Os resultados estão aí, mas sabemos muito bem tudo o que ainda precisa ser feito", ponderou Meloni, reconhecendo que não considera a "confiança" dos italianos "um cheque em branco".

Aos 49 anos, Meloni completa nesta sexta-feira 1.413 dias à frente do mesmo governo e supera Silvio Berlusconi, que, no entanto, governou o país por quase dez anos no total, à frente de quatro governos.

Para celebrar a marca, milhares de apoiadores se reunirão nesta sexta-feira em Bari, na região da Apúlia, às margens do Adriático.

O Irmãos da Itália preparou um livreto de 30 páginas para destacar as conquistas do governo em pouco menos de quatro anos: o desemprego caiu para 5,8% em julho, seu menor nível; houve uma redução de 21 bilhões de euros (124 bilhões de reais) em impostos para pessoas físicas; e a chegada de migrantes irregulares caiu 80%.

"Será uma oportunidade para olharmos uns nos olhos dos outros, fazermos um balanço do caminho percorrido e, sobretudo, falarmos sobre o que ainda temos pela frente", comentou Meloni.

Alguns especialistas, porém, criticam a valorização da estabilidade como uma conquista em si.

"A estabilidade é um instrumento, não um objetivo. O objetivo é o crescimento, e isso nós não vimos", declarou nesta quinta-feira Veronica De Santis, professora de Economia da Universidade Luiss, em Roma, durante um encontro com a imprensa estrangeira.

A especialista critica a ausência de uma estratégia econômica de longo prazo. O próprio governo prevê um crescimento muito moderado neste ano, de cerca de 0,6%.

Segundo um levantamento da agência AGI, a maioria ultraconservadora formada pelo Irmãos da Itália, pela Liga anti-imigração de Matteo Salvini e pelo Força Itália aprovou cerca de 300 leis e decretos-leis, recorrendo com frequência a votos de confiança.

Grande parte dessas medidas está relacionada à segurança em sentido amplo e tem como alvo a imigração, os traficantes de pessoas, pequenos criminosos, participantes de festas "rave" e até manifestantes que bloqueiam estradas para protestar contra demissões. São temas que mobilizam a base eleitoral da coalizão governista.

- Realismo ou imobilismo? -

A Itália teve 68 governos em 80 anos. Executivos caíam em meio a crises e deserções políticas, um fenômeno crônico que Meloni conseguiu evitar desde que chegou ao poder.

Os principais jornais italianos fizeram um balanço do período. O La Repubblica, de centro-esquerda, destacou que o governo estabilizou as contas públicas e reduziu o custo do endividamento público nos mercados.

La Stampa e Corriere della Sera ressaltaram, por sua vez, o apoio constante de Meloni à Ucrânia, apesar das resistências de seu vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, contrário ao envio de ajuda militar a Kiev.

Mas, acima de tudo, Giorgia Meloni "terá que explicar como pretende aproveitar estes últimos meses antes das eleições", que podem ocorrer em abril de 2027, comentou nesta quinta-feira Flavia Perina, colunista do La Stampa.

Na mesma linha, Alessandra Sardoni, jornalista política do canal La7, criticou "o realismo de Giorgia Meloni (...), transformado em um álibi para o imobilismo".

"O governo deu uma importância central à comunicação e, muitas vezes, essa comunicação substituiu a ação", acrescentou.

"Os salários aumentaram? Não. A gasolina está mais cara, a precariedade aumentou, as pessoas já não conseguem se aposentar, o sistema de saúde funciona pior", afirmou Maurizio Landini, líder da principal confederação sindical italiana, a CGIL.

A.Serra--MJ