Irã ameaça países do Golfo que ajudam o Exército dos Estados Unidos
O Irã ameaçou, nesta quarta-feira (19), os países do Golfo que prestam qualquer tipo de apoio ao Exército dos Estados Unidos, poucas horas após o anúncio dos Emirados Árabes Unidos de que suspenderam o comércio com Teerã, em um contexto regional cada vez mais tenso.
Os Estados Unidos mantêm bases em vários países do Golfo, que foram alvo de ataques iranianos desde o início da guerra, incluindo instalações nos Emirados, que acusaram Teerã na terça-feira de lançar dois mísseis balísticos contra navios perto de sua costa.
"Queremos alertar: qualquer assistência ou facilitação prestada ao Exército agressor dos Estados Unidos equivale a uma participação nas operações militares americanas", afirmou o general Ali Abdollahi, comandante das Forças Armadas do Irã, em um comunicado divulgado pela agência Mehr.
A advertência ocorre no momento em que o porta-aviões USS George Washington volta a ser mobilizado para o Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com uma campanha de bombardeios israelenses e americanos contra o Irã, vários países do Oriente Médio afirmam que não permitirão que os Estados Unidos utilizem seus territórios para lançar ataques, uma alegação questionada por Abdollahi.
O general afirmou que "parece improvável que um número tão grande de aviões militares, em particular aviões-tanque, se encontre em bases regionais sem o conhecimento dos países anfitriões".
Apesar de uma redução das hostilidades entre Estados Unidos e Irã nos últimos dias, a tensão na região continua elevada após quase seis meses de guerra.
Os Emirados Árabes Unidos acusaram na terça-feira o Irã de ter lançado dois mísseis balísticos, que caíram no mar, e visavam "a navegação marítima". Pouco depois, a diplomacia emiradense anunciou no X a suspensão, até novo aviso, "das transações comerciais e financeiras" com o Irã.
O Irã negou ter lançado mísseis no Golfo e rejeitou "categoricamente" as acusações.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou na terça-feira com o assessor de segurança nacional dos Emirados sobre a "coordenação necessária para responsabilizar o Irã" e grupos aliados pelos ataques em curso, assim como sobre a importância da livre passagem pelo Estreito de Ormuz.
- Nenhum diálogo -
Os esforços diplomáticos para encerrar o conflito estão paralisados. Na segunda-feira, porém, o enviado americano e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, afirmou que há conversas "muito positivas" com o Irã.
Trump declarou na terça-feira que "não há diálogo nem conversas em andamento, nem previstas, com a República Islâmica do Irã".
"O bloqueio naval continua plenamente em vigor e efetivo. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas marítimas foram removidas ou detonadas", escreveu em sua rede Truth Social.
Segundo uma fonte do governo americano entrevistada pela AFP, os contatos foram suspensos e Trump pediu às suas equipes que não retomem o diálogo enquanto Teerã não se aproximar das posições dos Estados Unidos.
As autoridades iranianas mal enviaram sinais neste sentido.
O principal negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf defendeu nesta quarta-feira, durante uma viagem ao Iraque, a importância de fortalecer "a nova ordem" regional e denunciou "a interferência estrangeira".
Ghalibaf declarou na terça-feira que o Estreito de Ormuz não será aberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos em um protocolo de acordo assinado em junho.
O negociador citou entre as condições iranianas "o fim do bloqueio naval [americano], o desbloqueio dos ativos [iranianos] congelados, o fim do embargo ao petróleo" do Irã, assim como "o fim das operações militares em todas as frentes".
P.Caruso--MJ