Trump se reúne com Netanyahu e insiste em continuar diálogo com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta quarta-feira (11) em prosseguir com as negociações com o Irã, durante uma reunião na Casa Branca com o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, que pede uma postura mais dura de Washington em relação a Teerã.
O governo americano retomou na semana passada, em Omã, as negociações sobre o programa nuclear de seu arqui-inimigo, mas manteve a ameaça militar caso um acordo não seja alcançado.
"Nenhuma decisão definitiva foi tomada, salvo que insisti em que as negociações com o Irã vão continuar, para ver se é possível chegar a um acordo", publicou Trump na rede Truth Social, após receber o aliado israelense por mais de duas horas. "Enquanto for possível negociar, indiquei ao primeiro-ministro que essa será a minha preferência", acrescentou.
Netanyahu, que visita os Estados Unidos pela sexta vez no segundo mandato do presidente republicano, deseja que as negociações incluam o programa de mísseis de Teerã, e não apenas o tema nuclear. Segundo seu gabinete, ele reiterou as necessidades de segurança de Israel no contexto das negociações entre Washington e Teerã.
No dia anterior, Trump indicou que avalia o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio, para aumentar a pressão sobre Teerã.
Autoridades iranianas que denunciaram a "influência destrutiva" da visita do líder israelense indicaram que estão abertas a permitir "inspeções" para verificar a natureza pacífica de seu programa nuclear, mas alertaram que não cederão a "exigências excessivas".
"Não queremos adquirir armas nucleares. Já afirmamos isso repetidamente e estamos preparados para todos os tipos de inspeções", disse o presidente Masoud Pezeshkian nesta quarta-feira, data do 47º aniversário da Revolução Islâmica.
- Pressão de Trump -
Embora tenha expressado esperança de alcançar um acordo, Trump alertou na terça-feira, em entrevista à Axios, que estava "pensando" em enviar um segundo porta-aviões para a região.
"Ou chegamos a um acordo, ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez", afirmou. "Temos uma Marinha ali e outra pode estar a caminho".
Em 22 de junho, após várias rodadas de negociações com Teerã, Trump ordenou o bombardeio das instalações nucleares do país durante a guerra de 12 dias iniciada por Israel, a potência nuclear de fato, contra o Irã.
Os líderes iranianos "querem chegar a um acordo", mas "tem que ser um bom acordo", argumentou Trump, que acusou Teerã de ter sido "muito desonesta" com Washington.
- O que Netanyahu quer? -
Antes de partir para Washington, Netanyahu indicou que a reunião com Trump se concentraria em "negociações com o Irã", embora também fossem discutidas a Faixa de Gaza e outras questões regionais. "Transmitirei ao presidente nossas posições a respeito dos princípios da negociação", explicou.
Durante a breve guerra em junho, Teerã respondeu aos ataques israelenses lançando mísseis e outros projéteis contra alvos militares e civis em Israel, causando aproximadamente 30 mortes.
O Irã rejeita a ideia de que suas negociações com os Estados Unidos devam ir além de seu programa nuclear, embora Washington também queira abordar o programa de mísseis e o apoio de Teerã a grupos armados na região, como o Hamas palestino, o Hezbollah libanês e os rebeldes houthis no Iêmen.
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P.Caruso--MJ