Responsáveis por agências migratórias participam de audiência tensa no Congresso dos EUA
Os responsáveis pelas agências migratórias dos Estados Unidos defenderam perante o Congresso, nesta terça-feira (10), a política de Donald Trump, em uma audiência por vezes tensa com os democratas, que condenaram a violência de agentes federais.
"O governo e as agências aqui representadas demonstraram um total desprezo pela lei e pela Constituição", acusou o deputado democrata Tim Kennedy.
O papel dos agentes migratórios tem provocado comoção no país, especialmente após a morte de dois manifestantes pelas mãos de agentes federais em Minneapolis.
Inclusive, Trump reconheceu que talvez seja necessário adotar um "enfoque mais suave" em matéria migratória. O governo anunciou posteriormente algumas medidas, como a retirada de cerca de 700 agentes das agências migratórias destacados na região.
A questão está longe de ser resolvida, já que os democratas exigem mudanças nas operações do Departamento de Segurança Interna (DHS), enquanto o governo Trump insiste em sua promessa de deportar imigrantes irregulares.
Diante da comissão de segurança interna da Câmara dos Representantes, dirigentes de três agências do DHS defenderam o balanço do governo Trump.
O chefe da Polícia de Fronteira (CBP), Rodney Scott, afirmou que o republicano conseguiu reduzir a níveis historicamente baixos as entradas irregulares nos Estados Unidos.
"A CBP passou o último ano reconstruindo uma fronteira que havia sido destruída intencionalmente", disse, em crítica à política migratória do antecessor de Trump, o democrata Joe Biden.
"O presidente nos encarregou das deportações em massa e estamos cumprindo esse mandato", disse Todd Lyons, diretor interino do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
"Graças aos recursos promovidos pelo Congresso, estamos aumentando a capacidade de detenção e os voos de expulsão diariamente. Só no último ano, realizamos mais de 475 mil expulsões", acrescentou.
Essas sessões ocorrem em meio a uma negociação entre republicanos e democratas sobre o financiamento do DHS, o único ponto pendente no acordo orçamentário alcançado na semana passada, que encerrou três dias de paralisação parcial do governo federal.
Após as declarações dos responsáveis pelas agências migratórias, chegou a vez das intervenções dos parlamentares, concentradas, do lado democrata, na violência demonstrada por agentes federais nas operações, especialmente após a morte dos dois manifestantes em Minneapolis.
O deputado de oposição Dan Goldman criticou duramente o ICE e suas "táticas antiamericanas e simplesmente fascistas".
Já o parlamentar republicano Eli Crane acusou, por sua vez, a oposição de "demonizar o ICE".
- "Comportamento fora da lei" -
A oposição democrata exige reformas amplas no funcionamento do ICE, incluindo o fim das patrulhas aéreas, a proibição de agentes ocultarem o rosto e a exigência de ordem judicial para deter migrantes, como condição para aprovar o projeto de financiamento do DHS para 2026.
A Casa Branca afirmou estar disposta a negociar, mas suas propostas não atenderam às expectativas da oposição. "Os republicanos compartilharam um rascunho de contraproposta que não incluía detalhes nem conteúdo legislativo", disseram, em comunicado conjunto, os líderes democratas da Câmara, Hakeem Jeffries, e do Senado, Chuck Schumer.
Os dois denunciaram uma resposta "incompleta e insuficiente" diante do que classificam como "comportamento ilegal" de agentes do ICE e afirmaram esperar esclarecimentos adicionais.
V.Morandi--MJ