Monaco Journal - Navi Pillay, a ativista sul-africana de direitos humanos que conquistou o Prêmio Nobel da Paz

Navi Pillay, a ativista sul-africana de direitos humanos que conquistou o Prêmio Nobel da Paz
Navi Pillay, a ativista sul-africana de direitos humanos que conquistou o Prêmio Nobel da Paz / foto: Fabrice COFFRINI - AFP

Navi Pillay, a ativista sul-africana de direitos humanos que conquistou o Prêmio Nobel da Paz

A sul-africana Navi Pillay, que venceu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9), é uma incansável defensora dos direitos humanos que atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

Tamanho do texto:

Aos 85 anos, construiu uma sólida reputação internacional ao longo de uma carreira de várias décadas que começou nos tribunais sul-africanos.

A jurista ganhou notoriedade mundial por suas contundentes denúncias da repressão exercida por vários governos contra movimentos de protesto no mundo árabe, especialmente na Líbia e na Síria.

Entre 2021 e 2025, presidiu uma comissão de investigação criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para examinar as causas profundas do conflito israelense-palestino.

O painel, que não fala em nome das Nações Unidas e foi duramente criticado por Israel, concluiu que vinha ocorrendo um genocídio em Gaza desde o início da guerra desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

"A responsabilidade recai sobre o Estado de Israel", declarou Pillay à AFP em 2025.

Atualmente, Navi Pillay atua como juíza ad hoc da Corte Internacional de Justiça (CIJ), onde participa de um caso sobre a minoria rohingya.

- Pioneira -

Nascida em 1941 em Durban, na costa leste da África do Sul, em uma família de origem tâmil, Pillay cresceu em um bairro humilde durante o regime de segregação racial do Apartheid.

Estudou Direito na Universidade de Natal antes de obter um mestrado e um doutorado em Harvard. Tornou-se a primeira mulher não branca a abrir um escritório de advocacia em Durban, onde ganhou reconhecimento por sua defesa de opositores ao Apartheid.

Em 1973, conseguiu que os presos políticos na penitenciária de Robben Island, onde Nelson Mandela estava detido, obtivessem acesso a advogados.

Um ano depois de Mandela chegar à presidência, após as primeiras eleições democráticas da África do Sul em 1994, Pillay entrou para a história ao se tornar a primeira mulher pertencente a uma minoria nomeada para um Tribunal Superior do país.

Pouco depois, Mandela a recomendou para integrar um tribunal da ONU encarregado de julgar os responsáveis pelo genocídio de Ruanda. Em 1998, fez parte do grupo de juízes que estabeleceu pela primeira vez que um estupro podia ser considerado um ato constitutivo de genocídio.

Dez anos mais tarde, foi nomeada alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, cargo que ocupou até 2014.

- Erguer a voz -

Sua infância na sociedade profundamente injusta do Apartheid a impulsionou a combater a discriminação em todas as suas formas e lhe rendeu a reputação de defensora das vítimas da injustiça em todo o mundo.

"Sofremos os piores insultos e a discriminação racial; fomos maltratados e tratados como se não fôssemos nada", lembrou Pillay em uma entrevista concedida à AFP. Diante dessa realidade, explicou, só havia duas opções: ser "fraco e chorar" ou "lutar".

"Sempre soube quem sou e como enfrentar qualquer forma de discriminação. É preciso ousar erguer a voz e condená-la. Foi isso que fiz na ONU", afirmou.

Na mesma entrevista, reconheceu que seu trabalho à frente da comissão de investigação da ONU encarregada de examinar as violações de direitos humanos nos Territórios Palestinos e em Israel provavelmente havia sido a missão mais difícil de sua carreira.

Pillay foi acusada de antissemitismo em decorrência desse trabalho, uma imputação que rejeitou com a franqueza que a caracteriza: "Seria engraçado se não fosse tão absurdo".

A.Reynaud--MJ