Monaco Journal - Morre Ratko Mladic, apelidado de 'açougueiro da Bósnia' por crimes de guerra

Morre Ratko Mladic, apelidado de 'açougueiro da Bósnia' por crimes de guerra
Morre Ratko Mladic, apelidado de 'açougueiro da Bósnia' por crimes de guerra / foto: PASCAL GUYOT, Peter Dejong - AFP/Arquivos

Morre Ratko Mladic, apelidado de 'açougueiro da Bósnia' por crimes de guerra

O ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia e criminoso de guerra Ratko Mladic, condenado à prisão perpétua pela justiça internacional e apelidado de "açougueiro da Bósnia" por seu papel no massacre de Srebrenica, morreu em Haia nesta quinta-feira (27).

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Mladic, de 84 anos, que estava gravemente doente há meses, morreu em um hospital penitenciário de Haia, noticiou a emissora estatal sérvia RTS.

O Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais confirmou sua morte.

"Mladic faleceu hoje enquanto estava hospitalizado em Haia", informou este tribunal internacional das Nações Unidas, acrescentando que a juíza uruguaia Graciela Gatti Santana ordenou "uma investigação exaustiva sobre as circunstâncias" de sua morte.

Mladic morreu dias depois de a justiça da ONU recusar o pedido de sua família e do governo sérvio para que fosse transferido para um hospital militar em Belgrado.

Este ex-general comandou as forças sérvias da Bósnia durante a guerra de 1992-1995 e era considerado um herói, mas acabou sendo descrito como "a quintessência do mal" por crimes como o cerco de Sarajevo e o massacre de Srebrenica.

Foi detido em 2011 em Lazarevo, na Sérvia, após passar 16 anos foragido e foi extraditado para Haia, onde foi julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ).

Em 2017, foi condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a guerra da Bósnia, que deixou cerca de 100.000 mortos. O veredicto foi confirmado em apelação em 2021.

Durante a guerra dos Bálcãs, foi o rosto militar do trio composto juntamente pelo então presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e o líder político dos sérvios da Bósnia Radovan Karadzic.

Entre seus crimes, destaca-se o massacre de Srebrenica, onde as forças sérvio-bósnias sob o comando de Mladic executaram, em julho de 1995, cerca de 8.000 homens e adolescentes bósnios muçulmanos que tinham buscado refúgio no que acreditava ser um enclave protegido pela ONU.

Imagens da época o mostravam distribuindo doces para crianças antes que elas e as mulheres de Srebrenica fossem levadas de ônibus, enquanto os homens eram conduzidos a um bosque e executados.

Seus corpos foram jogados em valas comuns, muitas das quais foram desenterradas e enterradas de novo para tentar ocultar as provas.

Os poucos que escaparam contaram histórias devastadoras de assassinatos, torturas e estupros a cargo das forças sérvio-bósnias.

- "A quintessência do mal" -

Em novembro de 1995, o TPIJ acusou Mladic, que foi destituído do cargo, mas depois conseguiu evitar sua captura durante outros 16 anos.

A princípio, levou uma vida de luxo, mimado pelo exército na Sérvia, onde alguns o consideram um herói até hoje.

Mas a pressão sobre Mladic aumentou depois que Milosevic foi deposto no ano 2000 e entrou para a clandestinidade. As detenções fragilizaram suas redes e, para a Sérvia, que aspirava a entrar na União Europeia, o general se tornou um problema.

O ex-alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, descreveu o ex-general como "a quintessência do mal".

A.Serra--MJ