Hernán Gil, um resgate cinematográfico que emociona uma Venezuela de luto
Hernán Gil resistiu quase oito dias sob as ruínas de um prédio quase desabado na Venezuela, até que nesta quinta-feira (2) surgiu por um túnel em meio a aplausos e abraços de seus socorristas, ao final de um dramático e longa operação de equipes de sete países.
A odisseia deste venezuelano de 43 anos emocionou um país em luto pelos dois terremotos de 24 de junho, que deixaram cerca de 2.300 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.
Com esperanças já remotas de encontrar sobreviventes, e após uma operação cinematográfica desencadeada desde segunda-feira (29), Hernán Gil apareceu são e salvo em Catia La Mar, no estado de La Guaira, o mais afetado pelos sismos.
"É um verdadeiro milagre", comentou sua esposa Gusbimar González, minutos antes de ser retirado em uma maca para ser levado de ambulância a Caracas, a 40 quilômetros.
"Estou totalmente surpresa porque é a primeira vez que vejo tantos países unidos para salvar uma única causa, que é salvar uma pessoa", acrescentou.
Gil saiu por um túnel de cerca de três metros de comprimento construído por socorristas dos Estados Unidos, Costa Rica, entre outros, que trabalhavam sem descanso, enquanto lhe forneciam água e ar por meio de sondas e uma mangueira.
Na última fase da operação, cerca de 30 pessoas trabalharam no estacionamento do edifício retirando os escombros, enquanto dois socorristas cavavam um túnel de três metros.
Gil tinha ficado preso na guarita de segurança do prédio de sete andares onde trabalhava como vigilante quando os terremotos ocorreram.
"O movimento fez com que a guarita se deslocasse, ela ficou entre as paredes", disse González à AFP, com quem têm um filho de 10 anos.
Foi no domingo (28) que os socorristas souberam que havia um homem com vida entre os escombros do edifício parcialmente destruído.
- Conseguiu se proteger -
Para Gil, foi crucial não ter sido ferido durante os sismos.
"Ele não se machucou, não tem traumatismos, conseguiu se esconder debaixo de uma mesa, de uma cadeira", contou sua esposa.
O complexo operativo de resgate contou com o apoio do pessoal das missões internacionais que chegaram à Venezuela para ajudar nas tarefas de resgate.
Os socorristas estabeleceram bases e trabalharam dia e noite para retirar Gil.
Sustentaram as bases do edifício com madeira e ferro, para evitar que a construção parcialmente destruída cedesse ainda mais, para que pudessem chegar até onde o homem estava.
Um plano inicial de construir um túnel de 60 por 60 centímetros foi descartado na terça-feira (30) quando o prédio se moveu ligeiramente.
Na quarta-feira (1), os homens avançaram por duas rotas ao mesmo tempo para alcançar Gil.
Ao longo da operação, os socorristas lhe forneceram 10,5 litros de água para mantê-lo hidratado e instalaram um tubo flexível pelo qual lhe forneciam oxigênio.
"Esta é uma estrutura bastante complicada de acessar", disse Cristian Vera à AFP, chefe de operações dos Bombeiros do Chile.
"Com pilares muito grandes (...) Não era fácil acessar o ponto exato" onde a vítima estava, explicou.
"Foi preciso elaborar um novo plano de trabalho para tentar entrar por um lugar diferente daquele por onde vínhamos entrando até ontem à noite", concluiu Vera.
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J.Rossi--MJ